A Lluvia é a organização parceira do IFAX — Instituto Família do Alto Xingu na execução do projeto Ito Unhetinhiko: Combatedores do Fogo no Território Indígena do Xingu, realizado pelo IFAX com apoio da CESE e do Fundo Amazônia. São 18 meses de trabalho, entre 2026 e 2027, e vamos acompanhar as ações por aqui.
Por que o projeto existe
O Território Indígena do Xingu é uma ilha verde cercada por lavouras de soja. Com a mudança do ciclo chuva-seca, os incêndios florestais deixaram de ter hora marcada: o manejo do fogo, que antes começava em maio e ia até novembro, agora precisa ser constante. Em 2024, grandes incêndios atingiram aldeias e roças na região entre Ipatse, Lahatua e Mayene — justamente onde as famílias cultivam. O impacto não foi maior por causa da ação rápida dos brigadistas voluntários.
As aldeias dos povos Kuikuro, Kalapalo e Nahukwá estão numa faixa de transição entre o Cerrado e a Amazônia, com campos abertos de vegetação rasteira — das mais suscetíveis a queimadas em todo o território.
O que o Ito Unhetinhiko faz
O projeto se organiza em quatro frentes: formação de multiplicadores de Manejo Integrado do Fogo (MIF) e de brigadistas indígenas, em parceria com o Prevfogo/IBAMA; equipamento das brigadas, com bombas costais, sopradores, kits de ferramentas e fardas; apoio financeiro aos voluntários durante os meses críticos da seca, para que possam se dedicar ao trabalho sem prejuízo do sustento das famílias; e educação ambiental nas escolas indígenas do Alto Xingu.
Também será construída uma rede de brigadistas xinguanos — um cadastro e grupos de comunicação que ligam as aldeias dos 16 povos do Alto Xingu, para circular avisos de foco de incêndio, editais e formações.

O que a Lluvia faz no projeto
Cabe à Lluvia a criação do material didático bilíngue sobre prevenção de incêndios e cuidado com o território, publicado em português e em línguas do tronco karib, com mil exemplares distribuídos gratuitamente nas escolas das aldeias. A equipe é a mesma de Ingu helü: de olho aberto — os professores e escritores Mutuá Mehinaku e Daniel Massa e o ilustrador Ricardo Moura.
A Lluvia assina ainda o roteiro dos dois vídeos educativos produzidos com o Coletivo Kuikuro de Cinema, falados em karib e legendados em português: um voltado às crianças, com ilustrações, e outro para jovens e adultos. Os filmes circulam por WhatsApp, Instagram e YouTube — as redes que realmente chegam às aldeias — e alcançam também os anciãos, que nem sempre leem em português.

O calendário
2026 — Seis pessoas indicadas pelo IFAX se formaram como multiplicadores de Manejo Integrado do Fogo em oficina do Prevfogo/IBAMA, no Polo Leonardo. O trabalho de campo já começou: entre agosto e outubro, a equipe visita 12 aldeias do Alto Xingu com rodas de conversa, atividades educativas, construção de aceiros e monitoramento de áreas de risco. As primeiras visitas passaram por Matipu, Aiha, Nahukwá e Ipatse.
2027 — Em julho, a aldeia Ipatse recebe o Encontro de Brigadistas Indígenas do Alto Xingu: três dias, 40 participantes dos 16 povos, oficinas teóricas e práticas com o Prevfogo/IBAMA e certificação. Entre as capacitadoras está Lawalu Kuikuro, primeira brigadista indígena do Alto Xingu. Do encontro sai o Plano de Atuação dos Brigadistas, coordenado por Kupei Kuikuro, que atua há oito anos como brigadista no território. De agosto a outubro, uma brigada de seis pessoas trabalha na prevenção e no monitoramento durante o pico da seca.

Quem faz
O Ito Unhetinhiko é um projeto do IFAX, sob coordenação de Takumã Kuikuro, presidente da associação. A execução envolve o Prevfogo/IBAMA, o Coletivo Kuikuro de Cinema, a AIKAX e as associações das aldeias do Alto Xingu. A Lluvia entra como organização parceira, responsável pelas frentes editorial e de roteiro.

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